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Vamos conversar sobre o Natal?


Sou nutricionista faz mais de uma década e consequentemente estudo sobre a minha prática e nunca vi até à data, segundo os estudos das principais causas da obesidade( ou excesso de peso) na população adulta portuguesa: natal, ano novo, festas de aniversário, casamentos ou festas populares. Notícia de última hora: Senhor António aumentou 20 quilos devidos ás festas natalícias e aniversários de familiares. Estes últimos não são causas de uma doença. No entanto são fatores que despoletam em muitas pessoas ansiedade, desconforto, receios, e acham que até podem estragar os quilos que emagreceram. Este tipo de sensações é o resultado de como se pensa ( ou idealiza) sobre uma alimentação saudável e a estreita relação pessoal que cada um de nós estabelece com os alimentos. Compreendo perfeitamente, sabe porquê? Porque muito se ensina que para se obter uma alimentação saudável é "restrição", "fechar a boca" , " alimentos proibidos". Vamos para as festas cheios de receios, falamos, passamos isso para os adolescentes, crianças e isto é uma bola de neve. Isto dá espaço a que entre dietas da moda e pressões de um corpo perfeito. Alimentação saudável é sinónimo de equilíbrio. Não se fala sobre educação alimentar, saber fazer escolhas conscientes, saber quando e onde se pode comer os doces típicos da nossa linda e estrondosa cultura gastronómica. Não me refiro a pessoas com condições de doença aguda ou crónica. Refiro-me a qualquer pessoa saudável que deseja emagrecer ou simplesmente obter mais saúde através dos alimentos. Se porventura está num processo de emagrecimento e durante um mês comer 2 dias de alimentação saudável, emagrece? Sabe bem que não emagrece. Deste modo se dia 24 e 25 comer alguns alimentos típicos natalícios não é a causa do seu excesso de peso.


O mês de dezembro tem 31 dias, subtraindo o dia 24, 25 e 31 são três dias de festa portanto sobram 28 dias para comer saudavelmente. Não é por 3 dias diferentes que se anulam os 28 dias saudáveis.


Estilo de vida saudável não é apenas com a alimentação mas sim com equilíbrio mental e exercício físico. Devemos avaliar os nossos hábitos com um todo e não responsabilizar demasiado a alimentação quando essa responsabilidade deverá ser distribuída pelos citados anteriormente.


Rabanadas, sonhos, bolo rainha, bolo rei, pão de ló, mexidos, filhoses são doces típicos desta época. Não estou a imaginar ninguém a levar para a merenda da praia estes doces, até porque na praia os doces chegam até nós sem grande esforço. Há sempre uma bola de Berlim com e sem creme, gelados, línguas da sogra e pipocas, (dependendo da zona do país). Os alimentos trazem sensações e gostos familiares. E isso não tem mal algum. Devemos respeitar as nossas raízes e cultura. Equilíbrio é a palavra-chave para estar de bem com os seus extintos nas diferentes festas anuais.


As sobras, o que fazer com elas? Já diz o ditado popular "guardado está o bocado para quem o há de comer." Se sobrar vai sempre alguém comer, e isso já não são 3 dias de alimentos poucos saudáveis num mês. Isso realmente não faz bem à saúde.

As sobras devem ser evitadas e para isso é necessário uma boa gestão e organização. Pergunte aos seus familiares quais os doces e petiscos que gostam mais, averigue se necessita de pão de ló de 3 quilos , por vezes, metade já chega bem. Os desperdícios alimentares não se deve apenas pensar neles como uma forma de comer menos como também a de estragar menos, cuidar do ambiente e na consciência que esses alimentos ou ingredientes podiam fazer falta a outras pessoas.


Existem formas mais saudáveis de confecionar doces como rabanadas no forno, arroz doce saudável, pudim de claras de ovos, etc. É uma forma de educar o paladar pelos mais novos e também pode fazer parte da sua ceia de natal pessoas que tenham diabetes, diverticulites ( ou outras doenças intestinais), vegetarianos, problemas de vesícula biliar ou fígado. Nestes casos eu aconselho vivamente. Mas faça isso porque faz sentido para si e para os seus, ou seja por uma questão de saúde e responsabilidade.


Deixemos de dogmas alimentares ou regras alimentares restritas. Sejamos humanos, conscientes e práticos. Só assim nos tornaremos mais saudáveis.


A nutricionista

Milene Castro Silva




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