Alimentação e emoções

Atualizado: 17 de set. de 2020

Por Milene Castro Silva

Nutricionista & Escritora


A Alimentação humana é uma expressão individual derivada de vários contextos: sociais, familiares, área geográfica, história pessoal, história familiar, religião e cultura. O primeiro prazer humano está associado ao alimento. O bebé através do contato bucal com o seio da materno recebe alimento e é feliz. Na verdade, comer oferece uma satisfação, um prazer imediato. Sem dúvida que a alimentação é sinónimo de saúde, crescer e viver, mas as suas funções vão para além da ação nutritiva. Na fase adulta o ato alimentício é uma escolha. Várias são as pessoas que tentam mudar hábitos alimentares, mas quando o fazem tendo apenas como suporte bases racionais (contagem de calorias e planos alimentares restritos) acabam por se desiludir, pois, a nutrição humana é um comportamento humano condicionado pelas emoções, traumas, vivências e personalidade.

Na actualidade existe muita informação sobre alimentos saudáveis, pratos saudáveis, programas e restrições de publicidade infantil. Quem não pensa em comida? Todos nós pensamos, todos os dias e em diferentes horas. A alimentação não é apenas uma subsistência… Revela uma história, uma posição, uma educação. Um individuo não sente a comida e sabores da mesma forma que um outro, o ato de cozinhar, mastigar, saborear, descrever. O ato alimentar é transcendente e único. Segundo a literacia científica as sensações de melancolia, tristeza, apatia conferem ao individuo uma maior tendência para alimentos doces. Isto porque tais emoções provocam uma diminuição de um componente químico, a serotonina, que ao comer doce é imediatamente elevado. No que se concerne a alimentos salgados, ao que tudo indica são pessoas mais tensas, nervosas, ou que contenham raiva acumulada, ansiedade. Isto é justificado pelo facto do aumento ligeiro da tensão arterial que necessita de sal (sódio) e o alimento salgado é compensatório.

Devemos interrogarmos- nos qual a relação que temos com a nossa alimentação. Eis alguns exemplos?

· Mastiga devagar e consome alimentos saudáveis para ter saúde e bem-estar? Ou, cozinha qualquer ou come em qualquer pastelaria e restaurante só para “matar a fome?

· Quando vai ao supermercado sabe o que vai comprar e se alimentar nos próximos tempos? Ou vai ao supermercado e pelo estiver disposto em prateleira ou montra escolhe?

· Sabe ler rótulos alimentares e sabe comparar a qualidade de um alimento com o preço? Ou nunca sequer pensou nisso?

· Têm hábitos de exercício físico para se sentir mais relaxada ou não faz exercício e gosta de petiscar “qualquer coisa” hoje e amanhã também para se “mimar”?

O alimento poderá ser um condutor de saúde e de afeto, mas torna-se um problema quando está a substituir confrontos, angustias e rejeições. Aconselho a reflectir sobre a sua alimentação. Só assim poderá compreender porque não consegue ter uma alimentação saudável, não consegue emagrecer, não consegue manter peso perdido.

Atenciosamente,

A Nutricionista

Milene Castro Silva

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